O golpe do motoboy é uma variação do golpe da falsa central. A diferença é que, no fim, a quadrilha manda alguém até a sua casa para pegar o cartão físico. Com o cartão e a senha nas mãos, ela faz compras e saques até o limite.
Como o golpe acontece, passo a passo
- A ligação. Alguém liga dizendo ser da central de segurança do banco ou da administradora do cartão. Às vezes a chamada vem antes por SMS: "compra suspeita de R$ 3.000, ligue para…".
- O susto. O falso atendente diz que o seu cartão foi clonado ou usado numa compra estranha. Ele já sabe seu nome, CPF e parte do número do cartão, dados que vazaram de outros lugares.
- A senha. Para "confirmar a identidade" ou "cancelar a compra", ele pede que você digite a senha no teclado do telefone. Os tons das teclas revelam os números.
- O cartão cortado. Ele pede que você corte o cartão ao meio, quase sempre com a instrução de não danificar o chip, e coloque num envelope.
- O motoboy. Diz que um portador do banco vai passar para recolher o cartão "para perícia". Em pouco tempo, alguém chega de moto e leva o envelope.
- O prejuízo. Com o chip inteiro e a senha, a quadrilha faz compras, saques e transferências antes que você perceba.
Sinais de alerta
- Pedido de senha por telefone, mesmo que seja para digitar no teclado.
- Pedido para cortar o cartão e guardar num envelope.
- Aviso de que alguém vai buscar o cartão, documentos ou o celular.
- Pressa e medo: "se não fizer agora, vai perder o dinheiro".
- Pedido para não desligar ou para não falar com ninguém da família.
- Pedido para instalar um aplicativo de "proteção" ou de acesso remoto.
Como se proteger
- Desligue. Não importa o quanto a ligação pareça verdadeira.
- Ligue você para o banco, de outro telefone, usando o número impresso no verso do cartão ou o app oficial. Em algumas linhas fixas, se o golpista não encerrar a chamada do lado dele, a linha continua presa e você volta a falar com a quadrilha.
- Nunca digite a senha do cartão no teclado durante uma ligação.
- Se for descartar um cartão, corte passando pelo chip e jogue as partes fora em lixos diferentes.
- Converse com pais e avós. Os idosos são o alvo preferido. Combine uma regra simples: "banco nunca busca nada em casa".
Caí no golpe. E agora?
- Bloqueie o cartão imediatamente pelo app do banco ou pelo número oficial, usando outro telefone.
- Troque a senha do cartão e do app do banco. Se você instalou algum aplicativo a pedido do golpista, desinstale e avise o banco.
- Conteste no banco todas as compras e saques que você não fez e anote o número do protocolo.
- Se houve Pix, peça a abertura do MED. Veja o passo a passo em Caí no golpe do Pix: o que fazer agora.
- Registre um boletim de ocorrência pela delegacia eletrônica do seu estado. Se lembrar, informe a placa da moto, o horário e as características de quem buscou o envelope. Câmeras do prédio ou da rua podem ajudar.
- Se o banco negar a contestação, recorra à ouvidoria do banco e, depois, ao consumidor.gov.br ou ao Procon da sua cidade.
Perguntas frequentes
O banco manda alguém buscar o cartão em casa?
Não. Nenhum banco envia motoboy, funcionário ou portador para recolher cartão na casa do cliente. Quem pede isso é golpista.
Se eu cortar o cartão ao meio, ele fica inutilizado?
Só se o corte passar pelo chip. No golpe, o criminoso pede para cortar sem danificar o chip, porque com o chip inteiro e a senha ele ainda consegue fazer compras.
Desliguei e liguei para o banco. Estou seguro?
Ligue de outro telefone. Em algumas linhas fixas, o golpista não desliga a chamada do lado dele, e você acaba falando de novo com a quadrilha achando que ligou para o banco.
Entreguei o cartão. O que faço primeiro?
Bloqueie o cartão imediatamente pelo app ou pelo número oficial, usando outro telefone. Depois troque as senhas, registre o boletim de ocorrência e conteste as compras que você não fez.
Quem são as vítimas mais comuns?
Pessoas idosas são o alvo preferido, mas qualquer um pode cair. Os golpistas costumam ter dados verdadeiros, o que torna a ligação convincente.